domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cemitério de Carros - DETRAN - Brasília


Em 2000, havia pouco mais de 500 mil carros circulando pelas ruas de Brasília e, logo em 2001, essa taxa cresceu 11,3%. Um aumento significantemente alto, o maior já registrado pelo Departamento de Trânsito do DF - DETRAN. Em 2010 a frota de Brasília já chega em numeroS maiores que 1.200.000 carros, com uma população de um pouco mais de 2 milhões e 400 mil habitantes, ou seja, é como se metade da população tivesse um carro. É assustador pensar nesses números daqui a 50/100 anos. O impacto ambiental será muito grande e, no fim de suas vidas úteis, para onde vão esses automóveis? Muitos vão para os depósitos doS DETRAN's, verdadeiros cemitérios de carros, já que nunca mais sairão dali "vivos", e muitos, já chegaram "mortos". Outros, no entanto, foram apreendidos e por lá ficaram, sujeitos à impiedosa ação do tempo. São  tantos carros, muitas vezes amontoados. Penso que os depósitos de carros "mortos" tendem a crescer exponecialmente e se tornarem grandes problemas nas cidades.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A fábrica Fratelli Vita no Recife


Que legal que estou atualizando essa postagem. Recentemente recebi de um leitor e admirador do nosso blog, duas imagens da fábrica, uma delas um panfleto da época. O Luis Carvalheira de Mendonça foi o responsável por essa divulgação mais que importante. Enriqueceu a postagem imensamente. Obrigado, ficamos honrados.


Postagem anterior:
Postado por LTW, de Recife.

A Fratelli Vita no Recife

      "Quando realizei a pesquisa sobre a primeira passagem do Graf Zeppelin aqui no Recife, descobri que em seu retorno para a Europa foram embarcados mil sacos de gelo da dita saudosa Fratelli Vita.
O nome me despertou pouco interesse tendo em vista que meu foco era a aeronave, porém, soube que o prédio da Fratelli Vita está abandonado aqui em Recife, e isso sim, me interessou.

Mas o que era a Fratelli Vita afinal? Eu particularmente tenho crédito em não conhecer tendo em vista que meu nascimento se deu quando tal empresa não mais existia, porém, descobri que ainda está forte na memória daqueles que tiveram o privilégio de saborear os refrigerantes por ela produzidos.
Assim, comecei a pesquisar. Vamos lá!
A Fratelli Vita foi uma empresa brasileira de refrigerantes e cristais fundada em 1902 pelos italianos Giuseppe Vita e seu irmão Francesco Vita. Sua primeira fábrica foi instalada na Bahia e produzia refrigerantes nos sabores como cereja, guaraná, ameixa, limão, maçã e pêra.
Durante a primeira guerra mundial, a importação de garrafas foi suspensa, tendo como única saída a fabricação pela Fratelli Vita de suas próprias garrafas. Em 1920 a empresa começou a produzir os primeiros cristais.
Bom, eu poderia escrever muitas páginas sobre a linha de cristais finos Fratelli Vita, passando por prêmios internacionais, Martha Rocha, trios elétricos, cristais personalizados para a fundação de Brasília, antiquários e a retomada da produção de cristais no século XXI pelo herdeiro da marca, Jairo Vita, neto de Giuseppe. Mas estou escrevendo sobre a Fratelli em Recife, assim, caso algum explorador de Salvador queira nos mostrar a antiga fábrica na Bahia, concedo-lhe tal honra. Interessados, apressem-se, pois o edifício já foi vendido e até onde sei, abriga uma faculdade.
Voltando a década de 1920, o sucesso comercial dos refrigerantes levou a abertura de uma filial na capital pernambucana sob a administração de Francesco Vita, nos mesmos moldes da matriz, fabricando refrigerantes e gelo, porém não encontrei indícios de que aqui em Recife eram fabricadas as garrafas ou cristais, assim, continuaremos focando as bebidas.
Em algumas entrevistas percebi que quem provou do guaraná Fratelli Vita, nunca esqueceu. Os principais concorrentes eram o “Guaraná Champagne Antártica”, da Antártica Paulista, e o “Brahma Guaraná”, da empresa de mesmo nome.
A Fratelli Vita foi vendida a Brahma, em 1972. Ainda fabricaram o refrigerante durante alguns anos mas descontinuaram a linha pouco depois. Com a fusão da Antártica e Brahma em 2000, surgiu a Ambev e hoje, Fratelli Vita, no segmento de bebidas, nada mais é do que a marca de uma água mineral fabricada pela Ambev.
Curiosidade: Em 2002 a Ambev reformulou a marca e descontinuou todas as linhas da Brahma. Hoje só existe o “Guaraná Antártica”
Voltando a Fratelli, a visita objetivou:

1 - Fotografar um vasilhame do antigo refrigerante.

2 - Verificar o estado de conservação do prédio.

      O primeiro grande problema foi encontrar o local exato onde a fábrica ficou instalada. Levei vários dias pesquisando até descobrir que ficava no Largo da Soledade, uma pequena praça que fica de frente a igreja da Soledade, na Rua da Soledade, próximo ao centro do Recife. Otimo... Soledade é um nome para não esquecer.
A visita preliminar foi para fotografar a fachada e descobrir se havia alguma forma de entrar. Assim, voltaria uma segunda vez para fotografar o interior.

Encontrei rápido. A antiga fachada da fábrica pode ser vista através do terreno onde hoje funciona um lava-à-jato.


Circulei pela lateral para verificar o estado de conservação. Notem que uma árvore cresceu dentro da parede.


Mais um detalhe da árvore,



Entrei no terreno do lava-jato para bater uma melhor foto da fachada.

A facilidade de entrar é tão grande que acabei fazendo desta visita, a definitiva. Consegui acessar a Fratelli sem ser visto pelos funcionários do lava-jato. A porta revela um buraco aberto por invasores...




Ao observar pelo buraco, não vi nada a não ser colunas caídas do telhado que desabou e muito mato. Teria de entrar para encontrar o que fui buscar. 


De dentro, esta é a primeira visão. O telhado desabou quase que inteiramente. Pilares de tijolos foram levantados para evitar que o restante viesse ao chão.








Patins velhos foram esquecidos também.



Aqui um restante do telhado original que cairá também em breve. É melhor tomar cuidado. Percebe-se que a parte da frente do galpão teve suas telhas substituídas. Provavelmente o fizeram depois do desabamento após levantarem os pilares de tijolos.



Segue mais uma foto da árvore que cresceu na parede. É a natureza retomando seu lugar original.
Na verdade esta árvore germinou provavelmente das fezes de uma ave no telhado. As raízes descem em direção ao solo abraçando a parede. Nesta situação há um grande risco uma vez que o ventar nos galhos faz balançar todo o conjunto enfraquecendo ainda mais a parede erguida a mais de 50 anos. Tudo isso corre o risco de desabar em breve e tomara que não acabe caindo na rua onde pode atingir fios elétricos, carros e até pessoas. A árvore é bonita, mas cabe um aviso as autoridades. Ela vai causar o desabamento desta parede.




Existe muito mato misturado com restos de telhas, mas já pude perceber algumas garrafas.





Meio fotógrafo, meio historiador, meio arqueólogo, precisei enfiar a mão para puxar a caixa de estava soterrada pelos escombros.




Então vamos as garrafas...
Brahma Guaraná, tem Limão também... ok.




Tem Pepsi e cheguei a ver Sukita também 




Olha a nossa amiga Crush;




E o grande achado do dia, Taí guaraná. A última vez que eu bebi uma destas, estava na quarta série do primário.





Me perguntaram por que não peguei esta garrafa pra mim. A resposta é simples:
A exploração urbana é uma atividade que possui códigos de ética dentre os quais está o de nunca levar nada, apenas fotografar.
Explorador urbano não invade, apenas visita. Parece ser uma visita não convidada, mas lugares abandonados estão sempre nos convidando a visitar, pois precisam de alguém para contar suas histórias. As pessoas que tomam conta destes lugares, quando existem, não sabem distinguir um invasor de um explorador, assim cumpre o seu trabalho de colocar todos para fora e estão certíssimos, mesmo assim, se houver uma forma de entrar e sair sem ser visto, estaremos lá. E prometemos que não levaremos nada a não ser boas histórias e não deixaremos nada a não ser pegadas.
Resumindo: O ato de pegar uma destas garrafas tem nome. Chama-se furto.

Voltando a exploração, estava cavando a década de 80 enquanto procurava pela de 70. Foi muito bom lembrar da infância, mas percebi que a Brahma usou esse local como depósito de bebidas durante anos, assim, eu poderia cavar tudo e nunca encontrar uma garrafa da Fratelli Vita. Resultado... Minha missão principal fracassou!!!
Restava ainda a minha missão secundária. Analisando as ruínas verifiquei as estruturas colapsadas e trago respostas baseadas em observações estritamente empíricas, ou seja, são apenas teorias, ok?

Depois que a Brahma comprou a Fratelli Vita, desativou a fábrica mas encontrou uma forma de ganhar dinheiro com ela. Demolindo praticamente tudo e vendendo os terrenos.
Este galpão sofreu intervenções. Notem que a parede dos fundos (a direita) não é original uma vez que possui tijolos vazados. Uma espécie de banheiro foi construída também, transformando o local em depósito mesmo.



O telhado caiu devido aos cupins e a umidade que apodreceu a madeira.








Hora de sair.



Ainda tentei dar a volta para ver o que mais tinha. Encontrei uma edificação mais interessante com tijolos antigos e a palavra “Gelo” escrito em uma janela. Teria saído daqui o gelo que abasteceu o nosso Graf Zeppelin? A verdade é que nunca vamos saber.





O telhado aqui também ameaça cair. Todo cuidado é pouco:



Um rapaz estava assistindo TV numa espécie de oficina que existe no mesmo terreno. Ele não me viu entrar.


Por fim... só existe isso.
Agora vamos buscar uma vista mais ampla:
Na foto de satélite, percebemos que os locais visitados compreendem uma área muito pequena para abrigar uma fábrica de refrigerantes. Acredito que a fábrica ocupava originalmente, todo o quarteirão demarcado  em verde, que foi aos poucos dando lugar aos edifícios atuais restando apenas o que encontrei.
Em vermelho está demarcada a área atual da Fratelli Vita enquanto que em azul está o prédio que ocupa o terreno original do galpão.
A Brahma (atual Ambev) fez um verdadeiro loteamento da área restando apenas aqueles escombros miseráveis.



Procurei saber se a Fratelli Vita era tombada pelo patrimônio histórico, mas não encontrei referências no Iphan nem na Fundarpe. Mas acredito que sejam ou não teria sobrado mais nada para os exploradores.
Assim, termino mais uma visita. Futuros exploradores tomem cuidado. As telhas continuam caindo e o local possui uma matilha de cães assassinos. Não entrem."



LTW.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Igrejas esquecidas da Ordem Beneditina - Abreu e Lima - PE


Postagem atualizada em 22 de janeiro de 2013.
Um leitor do blog e também explorador urbano no Pernambuco, o Elessandro Albuquerque (http://www.facebook.com/elessandro.albuquerque), mandou um material excelente sobre uma visita que fez a à igreja bem recentemente - setembro de 2012. Tirou várias fotos e mandou tudo pro Lugares Esquecidos. Obrigado, Elessandro, você enriqueceu muito essa postagem tão popular do blog. Da próxima vez queremos uma postagem só sua.































































Postagem anterior:


Postagem feita por LTW, de Recife.


Ruínas da Igreja de São Bento

"A exploração até as ruínas da igreja de São Bento, que fica na reserva ecológica de mesmo nome, em Abreu e Lima, começou por acaso.

Meu amigo Renato Pantoja, explorador urbano de Brasília, buscava no Google Earth as ruínas do conhecido Engenho Monjope quando deparou com uma estranha estrutura perdida no meio da reserva. Ele me enviou as coordenadas para análise.



Descobrimos posteriormente que as ruínas da antiga igreja de São Bento ficam em outro lugar. Me interessei para fazer a exploração da igreja verdadeira e aproveitando que já estaria lá, descobrir o que seriam as estruturas das primeiras coordenadas.



É claro que nunca realizo uma exploração sem uma boa pesquisada sobre o tema. Neste caso específico, encontrei pouquíssimas informações na internet sobre as ruínas da igreja.
Apenas que ela foi erguida pela ordem beneditina no tempo da colonização, que na verdade esta igreja pertencia a sesmaria Jaguaribe. Então podemos estimar sua construção no século XVII ou XVIII, mas para estimar melhor a data, teria de estudar não a igreja, mas toda a ordem beneditina brasileira, e isso inclui uma exploração ao grande Mosteiro de São Bento de Olinda.
Voltando a antiga, deparei-me com um grande desafio. Teria de deixar de ser um explorador urbano para me tornar um explorador de mata atlântica? A realidade foi menos cruel. Acontece que os dois pontos de exploração estavam localizados bem próximos a estradas de terra que possibilitavam-me chegar de carro no conforto do ar-condicionado. Beleza!!
Infelizmente o meu GPS tracksource não tinha os mapas das estradas de terra, assim, imprimi uma imagem do Google Earth para me orientar. O caminho pareceu moleza.



Ao chegar no início da trilha, deparei com as obras de calçamento das estradas de terra que bloqueavam vários caminhos, e logo de cara fiquei perdido.




A exploração começou aí. Teria de descobrir qual dos caminhos levaria até o meu destino. Encontrei uma estrada com uma terra que parecia ter sido arada por tratores. Em uma subida e descobri que apenas um 4x4 poderia prosseguir. E eu me atrevendo com um 1.0 compacto.



Dei a volta e deparei com mais pistas intransitáveis. Ao menos se alguma montadora me presenteasse com um carro adaptado para off-road. Lembram daquele crossfox amarelo da tal de Stephanie? Pois é... eu com certeza faria melhor uso do veículo, e sem capotamentos.



Voltando a realidade. Dei a volta e busquei outro caminho. Foi a minha sorte encontrar uma placa indicando duas passagens. Alí eu me situei no mapa.



Prossigo sem maiores dificuldades. O detalhe é que embora hajam casas, granjas, sítios e outras estruturas, é raro cruzar com pessoas. É estranho... a sensação é de estar em um local totalmente esquecido.







Seguindo as indicações no mapa, consegui finalmente avistar o meu alvo primário.



A próxima etapa era esconder o carro. Dei marcha ré em um acesso que fica logo ao lado das ruínas até ter o carro cercado por cachorros. Estes danados sempre atrapalhando.
E desta vez tinha urubu também. Otimo!!



Saí vagarosamente até perceber que os animais não representavam perigo. Assim, pude fazer os registros.







Percebe-se na foto do Google Earth, que por volta de 2009 as ruínas ainda tinham a parede dos fundos. Hoje o que se vê é apenas a alta parede lateral conectada a torre do sino.



O risco de desabamento é grande. Algumas pedras estão praticamente soltas e prestes a cair.



Tentei registrar onde ficaria o altar, mas é praticamente impossível distinguir o local bem como fotografá-lo em segurança.




















Chegada a hora de ir embora, percebo que há uma casa um pouco mais atrás. Escuto uma voz de mulher dizer algo como: “Não vá não! Ele pode estar armado!”



Armado, eu? Acho que não... Pelo jeito incomodei demais os locais. Hora de ir!
Mas ainda havia um local a ser explorado, ou seja, descobrir que estruturas eram aquelas que o Renato localizou pelo satélite.
Retornei até as placas e segui pelo novo destino, mas desta vez a trilha foi bem pior. Alguns trechos, pela altura do mato, pareciam não ter recebido um carro a muito tempo. Cheguei o mais próximo possível do alvo até que a trilha não permitiu mais a passagem do veículo. Tive de prosseguir a pé.



Não precisei andar muito. O GPS não mentia. Eu estava do lado do alvo.



Descobri que as estruturas não passavam de uma simples obra.





Missão cumprida! Voltei de ré, acompanhado dos novos amigos que me escoltaram em uma pequena parte do caminho.



Me perguntaram que carro eu usei nesta exploração. Possuo um Ford Ka, o pequeno notável. Muito bom na estrada e na terra. Só não passa em terrenos exclusivos para veículos adaptados, mas no resto, foi show!
É isso! Mais uma exploração bem sucedida.
Aguardem mais novidades neste blog e não deixem de ver mais fotos desta exploração no meu álbum pessoal."

LTW

Mais links sobre as ruínas:


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