sexta-feira, 17 de junho de 2011

Engenho Monjope - Igarassu - Pernambuco



Em 5 de junho de 2010 eu começei a postar, aqui no blog, a minha pequena coleção de imagens de lugares abandonados pelo mundo, juntamente com imagens da minha primeira exploração urbana: As Ruínas da UNB.
Com um ano de idade o Lugares Esquecidos está muito bem frequentado, leitores fiéis, amigos colaboradores de várias partes do Brasil, e a ótima missão de ser um point agregador de exploradores urbanos do nosso país.
E foi com o amigo LTW, explorador de carteirinha em Recife, que fiz essa exploração no lindo Engenho Monjope, no município de Igarassu, a poucos quilômetros da cidade de Recife. Um lugar fascinante, tanto pela sua história quanto pela beleza arquitetônica que ainda resta do complexo.
No aniversário de um ano do Lugares Esquecidos vou contar um pouco da exploração que fiz no engenho de cana de açúcar abandonado. Quero começar a postagem com fotos de poucas décadas atrás, que ainda mostram um Engenho Monjope ainda em pé. As imagens são dos anos 70 e 80, e em seguida separarei em partes a postagem: Casa Grande e Capela, Casa dos Escravos e Casa do Capataz, O moinho e os arredores.






Ao entrar no terreno percebe-se que o terreno sobe, e a poucos passos da entrada do portão, já se vê ao alto, escondidas no matagal, as construções do Engenho. Seguindo um caminho reto desde a entrada encontra-se a Capela e a Casa Grande.nas laterais as outras construções, e todo um sistema de captação de águas em piscinas e dutos que faziam o moinho fincionar. Águas de um rio que já não está mais lá, provavelmente desviado e canalizado pela companhia de águas de Recife. O Engenho, porém, ainda está lá. Gritando sua existência em paredes caídas, reforçadas para não tombarem de vez.



A área do Engenho Monjope foi doada pelo casal Antonio Jorge e Maria Farinha ao jesuítas, por volta de 1600. Os jesuítas usaram o engenho primeiramente para o plantio de subsistência e criação de gado. Sua produção de açúcar só começou em 1666. 
O Engenho Monjope, que era muito bem equipado, juntamente com o engenho Massangana transformou a capitania de Pernambuco, numa das mais prósperas do Brasil Colônia. Ele possuía a única roda metálica dos engenhos de toda a região. Depois da expulsão dos Jesuítas, ele foi arrolado pela coroa e comprado em leilão pela família Cavalcanti de Albuquerque, foi da Companhia Beberibe, que drenou seu rio, e pertenceu em seguida a Vicente Antonio Novelino.

Capela e Casa Grande
A capela, dedicada a São Pedro data de 1756, restaurada em 1816, e remodelada em 1926, por Vicente Novelino Filho, quando foi construída sua torre.
De longe já vi a Capela e a Casa Grande e algo me atraia muito rapidamente em direção daqueles dois prédios envolvidos por árvores e mato alto. Parti na frente deixando LTW um pouco para trás, era como um presente que recebia. Demos a volta na capela, mas sempre olhando para a Casa Grande que fica logo ao lado, separados apenas por um muro de balaústres, envelhecidos no limo.
O mato era muito alto, mas de repente conseguimos encontrar um portal que nos levaria ao escuro interior da capela, onde apenas morcegos habitam, juntamente com restos de materias de um ensaio de restauração do local, acontecido há tempos atrás e, um altar, lindo e colorido, que somente conseguíamos vê-lo nos flashes de nosssas máquinas e deum pequeno led de mão, levado por LTW. Anjos e morcegos pairavam sobre nós. Sentíamos o bater de suas asas em nossas cabeças... me senti numa outra dimensão.
A Casa Grande recebeu um reforço estrutural com vigamentos de madeira cujo objetivo é segurar as paredes. É o prédio em piores condições estruturais, um belíssimo sobrado colonial de dois andares.




























































































































































Casa do Capataz e Casa dos Escravos/Senzala
Esses prédios do complexo foram os mais modificados ao longo de sua história. Suas áreas internas foram adaptadas para receber vestiários e banheiros, em algum momento  esses dois prédios recebera outros usos.













































O Moinho e os arredores

A única roda de ferro existente nos moinhos brasileiros estava no Monjope, e ainda está. Ela é bem grande e fazia parte de um sistema de captação de águas, que se armazenavam em piscinas e dutos, que hoje estão secos. Aproveitava-se o caimento natural to terreno para captar e direcionar o fluxo d'água para a roda do moinho e, assim, fazê-lo funcionar. Ao lado do moinho há uma chaminé, que provavelmente era uma fornalha. Entramos em cada buraco que encontramos, fotografamos cada ruína existente no complexo. Há também uma casa logo na entrada, de construção posterior ás outras construções, lá encontramos seu Isaías, um senhor muito simpático que nos contou um pouco de suas experiências como vigia do Monjope. São 400 anos de história, prestes a se acabar. Lindo e triste ao mesmo tempo.
Grande obrigado ao meu amigo LTW que me levou lá e, juntos, fizemos essa visita inesquecível. Obrigado!

































































































Um pouco mais da história do Engenho Monjope e fontes:

http://www2.uol.com.br/JC/_1998/2604/cd2604n.htm

http://agenda-cultural-igarassu.blogspot.com/2010/05/engenho-monjope.html

http://dosaofranciscoaoamazonas.blogspot.com/2010/05/casa-grande-e-capela-do-engenho-monjope.html

http://instituto-historico-igarassu.blogspot.com/2009/10/igarassu-marco-da-colonizacao.html

https://sites.google.com/site/bitinhagames/engenhomonjope

http://www.myspace.com/552643004/photos/1264368#%7B%22ImageId%22%3A1264368%7D

E mais uma bela galeria de fotos do Engenho:

http://www.flickr.com/photos/ermo/sets/72157612336705792/

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