quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cemitério de Nossa Senhora da Soledad - Belém, Pará

    Entrar no Cemitério da Soledad (como é chamado) é esquecer o que tem em volta. É uma vigem ao passado, mais precisamente para 1850.
   Um surto de cólera, febre amarela e varíola matou mais de 30 mil pessoas em Belém do séc. 19. As cidades precisavam de saneamento e de cemitérios. O terreno que atualmente ele ocupa, não é um terço de seu tamanho original. pra quem conhece Belém, ele ia até o Manoel Pinto da Silva. 
    O que sobrou dele está hoje emprensado entre prédios e ruas barulhentas e poluídas. Tudo isso encobre uma história singular, tanto em sua inauguração, para abrigar os mortos das surtos, quanto em seu abandono. Em 1880, a composição de seu solo foi considerada indigna pelo seu governante e seus ilustres habitantes, que pensaram que o solo barrento não os merecia. E ele foi fechado. 
    Neste pequeno espaço, ou melhor, nesse museu a céu aberto, ainda restam alguns mausoléus e túmulos lindíssimos. Ecléticos em estilo neoclássico e gótico predominam. Uma cruz no corredor que leva da entrada à capela é o único obstáculo nesse corredor. Tudo está muito deixado à ação do tempo, mas mesmo assim ainda se realizam visitas (todas as segundas) e uma procissão de velas, de noite, realmente impressionante e sinistra. Pois as pessoas acendem velas pros túmulos e mortos, muitas vezes com os seus ossos expostos e suas urnas violadas.
    Na frente do Cemitério da Soledad, há um outro cemitério, israelita, também emprensado, num terretno muito menor. Na imagem do Google Earth, abaixo, à direita, entre os pontos amarelos, está o cemitério isrraelita, também abandonado.
Atenção especial para o pórtico da entrada principal. Qualquer semelhança com um egípcio, é mero ecletismo.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ruínas da Capela de Nossa Senhora da Conceição do Engenho Murucutu - Belém, Pará

O Blog andou parado, excedi a capacidade de dar uploads de imagens, parece que aumentaram minha capacidade. estou imensamente agradecido por todos os leitores e visitantes do lugaresesquecidos. O blog já anda sozinho faz muito tempo. Teremos participações muito legais de gente do Brasil que tá de cabeça na exploração urbana. Agradeço ao meus queridos colaboradores de Recife,
Que bom! pois fui à Belém do Pará, onde nasci, e fiz algumas explorações muito interessantes. Por serem bem diferentes entre si: uma ruína de uma capela de 1711, um cemitério eclético de 1850, e um balneário particular (pertencente a uma família só), dos anos 80. Vou começar pela capela.

Capela do Engenho do Muructu

Essa ruína é uma pérola encravada ali! no meio daquele mato denso e quente. A entrada principal está virada pro matagal, a gente entra pelos fundos. Naturalmente somos levados por uma entrada lateral, que já esboça o estilo específico de Antoni Landi, um arquiteto italiano que projetava uma mistura neoclássica com barroco tardio, ao qual foi atribuída o projeto do Engenho, pois já eram lá pelos seus 1750 (uns cinquenta anos antes da família real portuguesa abarcar no brasil e importar a missão francesa de artistas para construírem no Rio de Janeiro e inaugurarem o novo estilo arquitetônico no Brasil.
O Engenho Murucutu, ou o que sobrou dele, a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, data de 1711, dos padres mercedários, reformada na segunda metade do século 18 por Landi. Ele foi destruído nas guerras da Cabanagem, e foi um próspero engenho de açúcar, movido á vapor, e cheio de escravos (iuu!!). O lugar é pesado...

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