sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Antiga fábrica da Pirelli na Amazônia brasileira

 

Olá, gente boa!
Pra fechar com chave de ouro a viagem à Belém fui à um local fantástico. Um antiga propriedade - muito grande por sinal - conhecida como Fazenda da Pirelli. 
No ano de 1951, no Brasil, para fornecer matéria prima para sua própria produção. A multinacional adquire então a fazenda Oriboca, no Pará, no município de Marituba na qual plantaram seringueiras que estão ainda lá, fornecendo a seiva aos habitantes locais - muito poucos, mas que mantêm a plantação roçada, limpa, as únicas sobreviventes da época em que a fazenda funcionava à todo vaporHoje ela é uma reserva tombada e mantida pelo governo federal.
Visitei a antiga vila dos moradores e uns galpões, provavelmente um espaço para beneficiamento da seiva da seringueira para exportação. A floresta é fechada e vi outras construções no meio da mata, porém como tinha que ser uma entrada rápida, explorei os locais mais evidentes e de fácil acesso. 
Faz um calor imenso na mata fechada mas mesmo pingando me fascinei com o local e quis ficar bem mais tempo. Quem sabe um retorno?... na mesma fazenda há até ruínas arqueológicas.

A vila de casas
Depois de passar pelas ruínas da fábrica, pela caixa d'água, chegamos a uma pequena vila de casas abandonadas. 
As casas estavam enfestadas de morcegos e marimbondos e vespas - daquelas que por lá chamamos de caba. Mas deu pra entrar na surpresa e fazer um bom registro. reparem nos detalhes das cores dos cômodos das casa, cada um de uma cor, seguindo uma tendência antiga de decoração.

























































A fábrica na mata
Da estrada se vê a caixa d'água no meio da mata fechada, com um pouco de caminhada se chega aos galpões nos quais funcionava o tratamento da seiva para servir como matéria prima na fabricação de pneus em suas fábricas.
Dentro da mata densa é muito quente, mas valeu a pena conhecer um pouco dessa história perdida. Não encontrei informações exatas sobre como era o funcionamento de tudo, ou até mesmo sobre o período exato que funcionou ou quais os motivos do abandono. Quem souber de mais informações, gostaria muito que nos contasse aqui nos comentários. Desde já agradeço.
A fazenda recebe os animais resgatados pela polícia ambiental da cidade, então dá pra imaginar a diversidade de animais - pássaros, macacos, cobras, jacarés, entre outros muitos - que há neste lugar. Enquanto fotografava escutava o som da bicharada. Uma visita muito especial.





























Fonte:

http://www.pirelli.com/mediaObject/pirellityre/br/pt/extra-catalogue/company/sustainability/RA-Pirelli/original/RA-Pirelli.pdf

32 comentários:

  1. A vila parece abandonada a menos tempo que a fábrica. Acompanho o blog e gosto muito. Parabéns pelo trabalho.

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    1. É por que ela teve uso. Foi vila de sargentos e soldados da Polícia Militar do Pará. Mas foi abandonada também.

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  2. Nasci aí nessa vila em 12.04.1963. meu pai foi trabalhador da Pirelli e em 1967 ele retornou ao Ceará, sua terra natal. Gostaria de um dia visitá-la, pois minhas raízes estão neste lugar. Ângelo.

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  3. Meu pai Antônio Pereira Lima, funcionário da Pirelli, nunca deveria ter voltado ao Ceará. Voltou só pra ser humilhado pela família e vir a falecer em 1973. Pouco lembro deste local, porém, acho que nunca deveríamos ter saído do Pará. Meu pai, minha mãe e meus dois irmãos éramos muito felizes neste paraíso, hoje abandonado.

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  4. Meu Deus, Ângelo! que história!
    estou engasgado aqui e com olhos cheios d'água.
    Muito, muito grato pelos teus comentários.
    Renato.

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    1. Renato, tudo bem, me chamo Thalyane e gostaria de saber se você é quem faz as pesquisas sobre a fábrica?
      Se possível gostaria de entrar em contato com você.
      Agradeço desde já!

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    2. sim! foi eu quem foi lá. meu e-mail: renatopantoja0@gmail.com

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  5. Muito boa a matéria. As fotos do colchão mofado não pegaram bem, mas eu gostei da postagem. :)

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  6. Eu também nasci ai nessa fazenda , passei minha infância e adolescência aí , Essa fazenda era muito linda, tinha a escola q eu amava , a igrejinha no alto d um morro , a sede d fazer festa , o campo d futebol , q quando criança ajudei a plantar grama nele, era uma diversão rsrs e as plantações d seringueiras ? eram tantas , esperávamos o sinal da escola tocar entre as árvores d seringueira . Meu pai trabalhou nessa fábrica e minha mãe nos seringais . Em outubro de 2013 voltei lá e chorei quando vi tudo abandonado , principalmente a escola . Tenho varias fotos d outro locais q não vi aki e algumas d como era quando estava a pleno vapor . Fui muito feliz nesta fazenda .

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    1. Eu tbem cresci nesse paraíso. ..guardo muitas recordações e quando voltei lah em 2013 doeu meu coração ao ver o estado de abandono. ...fazenda querida onde nasci cresci casei na capelinha do morro....agora só saudades

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    2. Como é bom ver tanta gente que nasceu nesse paraíso,
      e saber que também fiz parte é maravilhoso.

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  7. Renato Pantoja se um dia vc quiser voltar na fazenda me convide pra ser seu guia,,, irei com maior satisfação,,,,

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  8. Trabalhei 12 anos na unidade de beneficiamento de borracha, a maioria das pessoas que estão comentando a postagem eram crianças à essa época, crianças felizes, cultas e engajadas. Todas sem nenhuma exceção eram filhos e filhas de funcionários que também eram pessoas honradas a quem eu devoto uma admiração pela dedicação a essa empresa e a conservação do seu patrimônio.

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  9. Nossa meu coração bateu forte agora. Vivi 12 anos na fazenda, uma infância que poucos tem oportunidade de ter hoje em dia, correndo na chuva, andando de trator, de bicicleta, tomando banho de igarapé. O governo do Pará e a iniciativa privada perderam muito não investindo em turismo ali. Era uma fazenda linda que poderia com o turismo, manter a historia e a natureza preservadas. Saudades :)

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  10. pois é, quanta recordação, trabalhei nesta fazenda por mais de 15 anos, minhas filhas cresceram e se formaram ai, foi uma belissima experiencia de vida, agradeço a Deus e aos meus muitos amigos que deixei por lá. abraços a todos.

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  11. Sou uma das filhas da Fazenda da Pirelli. Meus pais casaram-se em SP e em seguida partiram para iniciar a vida em Belém, nesta fazenda. eu e meu irmão moramos 10 anos nesta fazenda e soubemos o verdadeiro significado de ser CRIANÇA. Te amo Fazenda Guamá!

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  12. morei 10 anos nessa fazenda meu pai tranalhava na usina de beneficiamento

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    1. Erivelton, qual o nome do seu pai? E em que período ele trabalhou na Usina?

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  13. Morei nesse paraíso 28 anos sai de lá casada para SP guardo lindas recordações da minha infância adolescência e parte da fase adulta casei na capela no alto do morro e com certeza fiz muitas amizades ..acho que éramos como uma grande familia...e com certeza todos que moraram lah pensam igual a mim..em 2013 voltei lah e fiquei muito triste com o estado de abandono do local na guarita um soldado pediu minha identificacao e falou que teria que entrar acompanhada pois o local era perigoso. ..imagina como ficou meu coração. ..o local onde nasci agora é perigoso. Jamais esquecerei esse paraiso e quando for ao Pará com certeza voltarei lah

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  14. Nasci e morei na Pirelli ,meu pai tbm trabalhava na usina de beneficiamento de borrachas,tenho certeza que não poderia ter uma infância melhor, do que essa vivida na Pirelli...

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  15. Fiquei muito emocionado e triste em ver o estado dessa fazenda. Eu morava nela na década de 70, fui adotado por um casal que na época era um dos coordenadores, Hugo Queiroz, lembro bem dessa época, fui muito feliz ai, no ano de 1987, retornei, e fique na casa de um Sr chamado "Grilo", onde o mesmo me recebeu junto com sua familia, me deu apoio e conforto, lembro do Carlinhos e Sandra seus filhos, hoje com muito saudosismo gostaria de contatos dessas pessoas maravilhosas, eu era conhecido como "Chiquinho",e, hoje moro no Espirito Santo, meu face é : francisco queiroz, acaso aguem puder, me deem uma força, abraços.

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    1. Meu zap Dinho Cordovil 34-991925938

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    2. Fui nascido e criado nesse lugar maravilgoso

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  16. gostaria de saber se tem documentos com o nomes dos trabalhadores, acredito que meu avô trabalhou nesta fabrica, porém ele já faleceu e eu não sei nada a respeito dele. Agradeço desde já. Thaly

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  17. caramba! emocionado com os comentários. como esse lugar teve vida um dia...

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  18. Ola pessoal, São tantas pessoas dando detalhes e nem uma data, tipo até quando trabalharam? quando saíram?
    É um belo local, e a foto do colchão... sim muito intrigante... quanta historia este colchão testemunhou!!!

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  19. Apenas uma retificação: hoje, trata-se do Refúgio de Vida Silvestre "Metrópole da Amazônia", criada pelo Decreto Estadual nº. 2.211/2010, uma das 21 Unidades de Conservação Estaduais geridas pelo IDEFLOR-Bio, órgão estadual. E não federal.

    Mais informações em: http://ideflorbio.pa.gov.br/unidades-de-conservacao/regiao-administrativa-de-belem/refugio-de-vida-silvestre-metropole-da-amazonia/

    Hoje, somos gestores da REVIS Metrópole e estamos batalhando pela elaboração do Plano de Gestão desta UC. Agradeceríamos muito se os colegas pudessem vir conversar conosco e nos trazer boas memórias para qualificarmos nosso trabalho. Vocês seriam excelente colaboradores!

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  20. Este comentário foi removido pelo autor.

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  21. Boa tarde aos senhores

    Me chamo Aline de Cássia M. de Oliveira estava fazendo uma busca sobre a Fazenda Pirelli e encontrei o site sobre os lugares esquecidos.
    Estou entrando em contato porque ano de 2017 a antiga fazenda que agora é um patrimônio do governo do Estado do Pará, unidade de conservação Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia – REVIS, gerenciado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – Ideflor-bio
    Será permitindo a entrada de visitantes por meio de nós condutores de trilha.
    fazemos pacote especial para vocês que querem rever a sua história.
    A quantidade de pessoas por grupo é de até 20 pessoas, aguardo seu contato.


    Atenciosamente,
    Aline de Cassia Martins de Oliveira
    Condutora de trilha do Refúgio de Vida
    Silvestre Metrópole da Amazônia – REVIS.
    Tecnóloga em Gestão Ambiental.
    988271203 /981175012

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