segunda-feira, 13 de julho de 2015

Cemitério de trens da antiga Rede de Viação Paraná - Santa Catarina


Olá, gente boa! 
Como vocês já perceberam eu estive em Curitiba, no sul do país, de férias, e produzi um material UrbEx em lugares bem interessantes. Fui no Memorial da Imigração Japonesa; descobri um quarteirão com várias casas abandonadas - será a próxima postagem - e uma história ótima e; visitei uns galpões da extinta RVPSC - Rede de Viação Paraná - Santa Catarina, em Curitiba. Lá estão um acervo de vagões e locomotivas históricas, aguardando um reparo/conservação que nunca acontece. Um lugar maravilhoso e muito apropriado para se fazer um belo Museu sobre a história da rede ferroviária no estado e no país. Os galpões são de uma arquitetura imponente e se destacam aos olhos de quem passa nesta parte da cidade. Foi assim comigo, logo me chamou a atenção, aqueles galpões  grandes e cheios de vagões, dentro e ao redor... Como não notar?
Vamos lá!


Cemitério de trens da antiga Rede de Viação Paraná - Santa Catarina
A Estrada de Ferro Paraná (Paranaguá-Curitiba) foi o primeiro trecho ferroviário a surgir no estado do Paraná. Com o passar dos anos foram surgindo vários outros, nos estados do Paraná e de Santa Catarina, porém como ferrovias autônomas. Os primeiros estudos para a construção de uma estrada ligando o litoral paranaense a capital datam de 1875.
A RVPSC nasceu da fusão das seguintes ferrovias: Estrada de Ferro Paraná, Estrada de Ferro Norte do Paraná, Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná e da Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande. Posteriormente ampliada no período de 1909 a 1930, Outras partes foram sendo incluídas à malha ferroviária entre 1928 a 1975, 
Nos anos 90 a RVPSC foi renomeada como RFFSA com sede em Curitiba. Em 1997 a RFFSA foi leiloada e concessionada para a empresa Ferrovia Sul Atlântico, que em 1999 se fundiu-se com duas concessionárias Argentinas a ALL-América Latina Logistica, as quais controla as poucas linhas remanescentes da rede ferroviária.


























Encontrei informações sobre esta locomotiva. Se trata de uma Metropolitan Vikers nº 2000. Um modelo de locomotiva elétrica de 900 HP fornecida pela Metropolitan-Vickers para a RVPSC. Ela chegou a ser emprestada por um ano para a E.F Sorocabana, certamente devido à ociosidade da frota de máquinas elétricas da R.V.P.S.C., afinal apenas 36 dos 113 quilômetros entre Curitiba e Paranaguá tiveram eletrificação operando comercialmente. A imagem abaixo era originalmente publicada em catálogos da Metropolitan Vickers de 1957. 















Realmente fascinante a entrada na locomotiva elétrica Metropolitan Vikers nº 2000. Em seguida passei para outro vagão.






























Encontrei umas imagens antigas do vagão a seguir. O trem inaugurou a estação de Quatigá, em 1919.














 O vagão estava fechado. Obviamente por causa dos móveis e objetos que ainda continuam dentro dele. Uma cápsula do tempo... vejam que requinte:










Este vagão metálico na foto abaixo também me chamou muita atenção. Um modelo à la anos 50, meio futurista, e com um interior fantástico, apesar de vazio. Todo em tons de alumínio e cores pastéis. Bem característico do design da época:






























 



Foi uma linda viagem, até aparecer um guardinha e nos mandar embora. Adeus...

Fontes:


4 comentários:

  1. Excelente reportagem! Aconteceu a mesma coisa com a RFFSA/Noroeste do Brasil! Privatizada e desmatelada pelos novos donos! Uma ferrovia que ligava os extremos leste do Brasil ao Oeste! Era possível nos tempos de d'antanho subir num trem em São Paulo/Capital e viajar até Santa Cruz de La Sierra na Bolívia! Ou ir até Campo Grande Ms e pegar outro trem até Ponta Porã MS fronteira com o Paraguai!
    Vi quando era criança em Campo Grande MS, trens lotados indo para Corumbá MS a última cidade do Brasil antes de entrar na Bolívia! No Natal e Carnaval, parentes que trabalhavam no Rio e em São Paulo viajavam confortavelmente para visitar os parentes no interiorzão do Mato Grosso!
    Era possível (eu mesmo fiz isso quando jovem!) Pegar o Trem até Santa Cruz na Bolívia, visitar La Paz e depois ir de ônibus até o Chile, Peru,Venezuela, Colômbia! Mochilão super-barato! Cidadãos Bolivianos costumavam viajar até São Paulo e comprar mercadorias diversas indo e voltando de Trem! Paulistas viajavam de trem e desciam no meio do Pantanal para pescar! Enfim! O prejuízo é incalculável culturalmente falando e como fator de integração de fácil acesso!
    A propósito o vagão prateado estilo futurista anos '50, não é exatamente um vagão! Na realidade é o que nos chamávamos de Litorina aqui no Mato Grosso ! Era um trem de luxo, com bancos pullman e ar condicionado que fazia o mesmo trajeto dos trens convencionais de passageiros mas em horários diferenciados, e era realmente um privilégio viajar nele! Tinha serviço a bordo como acontece nos aviões, um serviço de primeira classe! Eu sei que muitos cartões postais mostravam essa Litorina passando na beira do abismo numa das paisagens mais bonitas do Brasil!

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    1. Que legal!! e obrigado pelos elogios. Inclusive a linha que ia para o Paraguai tinha a locomotiva modelo Metropolitan Vikers nº 2000, a qual mostrei acima. Como não havia muito suporte/demanda na RVPSC para trens elétricos, alguns foram emprestados para a RFFSA.

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  2. Olá,meu nome é Hugo, gostaria de saber se da para entrar lá e tirar fotos de boa, ou tem que falar com alguém, pedir permisão, etc

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    1. Caro Hugo, quando entrei lá, primeiramente não encontrei alguém que me impedisse, mas ao fim, um senhor me falou que me viu pelas câmeras de segurança e que eu não poderia ter entrado sem autorização, então eu pedi desculpas - expliquei que havia encontrado os portões abertos, pois estava indo ao "Vagão Cultural" que lá está - e saí

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