segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Uma exploração de Fábio L.


Olá, gente boa! tudo bem?
Quero desejar muitas vibrações de paz em 2016. Estamos precisando muito emanar essa energia. 
2016 começa com material novo de um amigo explorador urbano de Caxias do Sul, no sul do país. Que já me mandou faz um tempinho, inclusive, mas começar o ano do blog com esse material é bem melhor. Muito grato! 
Vamos à exploração (na verdade, explorações!!!).


"Olá Renato! Olá amigos do Blog.

Primeiramente, faço minhas as palavras do Renato: UrbEx é muito legal e emocionante, mas é perigoso também, principalmente em lugares muito habitados, onde casas e prédios abandonados tendem a atrair viciados, ladrões, maníacos sexuais. O blog Lugares Esquecidos é inspirador, tanto que foi vendo ele que respirei fundo e me aventurei no UrbEx, porém iniciei por lugares de interior bem afastados dos grandes centros. Tenho meus próximos roteiros definidos, mas nos próximos somente irei acompanhado e mais bem equipado.
Então fica a dica: não recomendo que façam e se fizerem, façam por sua conta e cientes dos grandes riscos envolvidos. Cuidado, pessoal!
Esta minha primeira postagem que compartilho com vocês,
que como eu curtem o UrbEx, trata-se de uma linda casa, em uma cidadezinha no alto das montanhas do Rio Grande do Sul chamada Ivoti, em uma estrada alternativa que liga Porto Alegre a Serra Gaúcha. Como sou de Caxias do Sul-RS, este é um caminho alternativo que uso muito, uma estrada linda e com uma paisagem de tirar o fôlego. Em uma viagem até a capital, reparei nesta bela construção, escondida em meio a vegetação que já reclama seu espaço.
Não entendo muito de arquitetura e estilos, nela chamam a atenção as colunas e a escada da entrada, além do adorno na parte superior da fachada. Neste ponto o Renato pode nos esclarecer qual o provável período de construção dela. Na minha visita vi placas de venda. Liguei para as imobiliárias e ninguém soube me dar uma informação precisa, nem mesmo os vizinhos. Então sua real origem é um mistério.
No fervo e loucura que nosso mercado imobiliário vive este imóvel esta sendo vendido apenas pelo seu terreno, então a casa provavelmente está com os dias contados. Foi sorte encontrarmos ela de pé para podermos apreciar!
Da casa principal restam em boas condições e que dão uma ideia da grandeza do imóvel a fachada principal, a escada e as colunas de entrada, algumas paredes internas e o porão da casa, este último não tive coragem de entrar, pois o risco de desabar era muito grande.
Algumas coisas que visualizei: existe uma casa em anexo, como se fosse um quiosque, uma área de convivência para a família. Conta com um banheiro extra, uma sala (provavelmente uma sala de jantar, que estava bem trancada) e uma churrasqueira. Esta construção é visivelmente posterior a casa, assim como a garagem. As duas ainda se encontram em estado razoável de conservação. Na garagem se encontram entulhos e bugigangas, muitas destas coisas estão queimadas, dando indícios de um possível incêndio, talvez o motivo do abandono.
Aproveitem! Um abraço!"







































Que casa linda. Consigo imaginá-la funcionando. Fabulosa! Vamos à segunda exploração do Fábio:

"Neste segundo post, estava em uma viagem a trabalho, devia ser quase meio dia, quando avistei uma das muitas balanças rodoviárias abandonadas do DENIT. Quando eu digo muitas, são muitas mesmo, vejo diversas nas viagens que faço, não me chamava mais atenção! Uma fortuna em dinheiro público, dinheiro meu e seu se deteriorando ao longo do tempo. Em algumas o estado de abandono é tal que não há mais absolutamente nada pra se olhar lá dentro, portas e janelas, fiação, tudo já foi levado. Estas balanças seguem um padrão de construção e são fisicamente iguais. Contam com uma pequena guarita de operação, um escritório maior e uma garagem com sala de manutenção, casa de força e caixa d’água. E todas que eu tinha visto eram apenas uma pilha de tijolos e cimento. Até aquele dia.
Estas balanças abandonadas são tão comuns de se ver que naquele dia, dirigindo pela BR-290, eu acabara de passar por uma delas, pra variar muito arruinada. Sem nenhum atrativo arquitetônico ou uma história misteriosa, não me animei a olhar mais de perto. Ainda rodando por este interior do Rio Grande do Sul, uma centena de quilômetros a frente vi mais uma destas balanças. De cara me perturbou o fato de haver muito pouca vegetação ao redor e de o local ainda contar com as placas e os semáforos que sinalizam a entrada, saída e circulação dos caminhões. A vontade de chegar mais perto apareceu.
Dei uma volta com o carro ao redor e pude ver que as portas estavam trancadas e pregadas. Havia apenas um fogão e uma cadeira na parte externa da construção, além de um transformador elétrico e umas quinquilharias. Dei mais uma volta procurando sinais de gente mal intencionada que pudesse estrar vivendo ali, afinal eu estava a uns 80km de qualquer tipo de ajuda. Então era bom ter certeza antes de tentar uma aproximação. Sem ver nada muito suspeito, desci e me aproximei. O que vi foi muito animador. Nada, absolutamente nada sinalizava que alguém tenha vivido ali, apenas ido revirar e tentar encontrar algo de valor pra roubar (nunca saqueie, o que está no lugar é do lugar e faz parte de sua história). O mais incrível de tudo é que o lugar estava incrivelmente bem conservado, apesar da bagunça, e contava com quase todos os móveis maiores e alguns componentes eletrônicos, manuais e documentos. Prato cheio!
A impressão que tive era de um lugar abandonado às pressas, havia ainda um uniforme de funcionário jogado no chão do banheiro, que tinha a única porta aberta de toda a construção principal. Uma das portas sofreu uma tentativa de arrombamento, resistiu mas cedeu espaço suficiente para que passassem os saqueadores que felizmente não viram muito valor nas coisas lá de dentro, deixando uma ideia muito nítida de como era o dia a dia dos trabalhadores que atuaram ali. Uma volta mais cuidadosa a pé ao redor do escritório principal, vi alguns vidros quebrados que poderiam me dar acesso, desde que ignorados os riscos de ferimentos. Continuei caminhando e vi meu passaporte de entrada cintilar: um grande vidro na fachada principal totalmente quebrado e com um estrado de madeira na parte interna, que facilitaria tanto minha entrada quanto uma possível saída de emergência. Entramos!
Aquele frio na espinha continuava, pois o que havia lá dentro ainda era um mistério. Resolvi dar uma olhada rápida em todos os cômodos antes de “degustar” o lugar. Dois escritórios principais, uma sala de arquivo, uma grande sala com um balcão de madeira grande, onde provavelmente os motoristas interagiam com os funcionários da balança, mais uma sala com uma escrivaninha (provavelmente um cômodo administrativo), uma cozinha e um banheiro, felizmente tudo desabitado! Era hora de fotografar e detalhar o local!
Foi com certeza um grande dia! Havia ainda no interior da construção diversos equipamentos eletrônicos, formulários, manuais e arquivos. No documento mais recente que encontrei podemos estimar a data do abandono: um calendário de 2001, totalizando quase 15 anos de abandono. Na garagem, apenas placas, cones, mesas e cadeiras abandonadas. Em resumo, um belo dia e um lugar com muito da energia de seus dias mais ativos. Espero que os vândalos nunca toquem nele, para que mais pessoas possam desfruta-lo. Aproveitem! Um abraço!
Fábio L."


























































































Que lugar interessante. Possui um clima realmente sinistro e já foi bastante utilizado, após o abandono. Infelizmente, aqui no Brasil, equipamentos urbanos abandonados são muito comuns. Principalmente nas margens das longas estradas brasileiras.
2016 começa bem e vem mais material de exploradores brasileiros, aguardem a próxima postagem.
Grande abraço e fiquem na paz.

7 comentários:

  1. Me chamou a atenção a foto que mostra uma tomada já no novo padrão.... Esquisito.

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  2. Bacana! Também sou de Caxias do Sul e sei de alguns lugares bem interessantes para explorar por aqui!

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  3. Interessante mesmo.. O novo padrão de tomada surgiu em 2010.. por isso deve ter sido abandonado após isso..

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    Respostas
    1. É bizarro, pois eu conheço essa balança e esta abandonada desde meados dos anos 80.

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  4. legal. Aqui em Recife/PE, a antiga e famosa fábrica de café Cyrol Royal está abandonada. Seria legal fotos de lá

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  5. Realmente, é curioso este fato das "tomadas" padrão atual... Todas as outras aparentes tipo PIAL/Legrand (aquele padrão pino cilíndrico com chato conjugado), aparecem em fundo preto e "espelhinho" cinza padrão. E justamente num banheiro aparece a nova... Curioso isso, parece coisa de "Arquivo X"...Muito boa captura de imagens parabéns ao conterrâneo Gaúcho pela postagem, faz tempo que não acessava este espetacular Blog!

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  6. Oi, Renato! Eu estou fazendo uma série de documentários aqui no Rio Grande do Sul, tu teria o contato do Fábio para me passar? Talvez um e-mail ou um perfil do blog dele? O meu e-mail é anacaudurorosa@gmail.com

    Obrigada!

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